Coisas de avó!

Por Maryur Tedesco Silber

Constantemente recebemos, lemos, ouvimos textos e mensagens definindo avós de ontem e de hoje. São traçados perfis e contadas ricas histórias sobre elas, evidenciando, sobretudo, suas diferenças.

E vou delinear, sinteticamente, o meu. E a enorme alegria que a Carol e o Rafa, meus 2 amados netos mais velhos, adultos jovens, universitários e muito dedicados a seus estágios profissionais, me proporcionaram no Dia das Mães.

Eu sempre disse de acordo com meu temperamento e franqueza, ainda que a alguns cause espanto, das minhas dificuldades em lidar com bebês até os 3 anos. Nessa fase prefiro ser avó de “visitinha”, a não ser, é claro, se houver necessidade. O que não houve com os maiores, e nem com os 3 bebês. Chocados? _ Espero que não. Pois em compensação à medida que eles crescem e adolescem vou me tornando, sem falsa modéstia, uma ótima avó…

Acredito com convicção que amor, valores, caráter e postura diante da vida se transmitem, antes de mais nada, com total compreensão e amizade. Que os netos sabendo que aquela avó embora não faça almoços dominicais, é sempre, em qualquer momento, uma mão estendida, um cofre forte para confidências que às vezes nem os pais entendem, que ajudou e ainda ajuda no desenvolvimento da vida espiritual, cultural e até na social. Que  suas primeiras vivências de adolescentes: “debutar” com a Carol e acompanhar os namoricos do Rafa, ajudando-o a mandar flores, aos 13 anos, para a primeira namorada, contaram com a cumplicidade e apoio da vó.

Lembro de cada pecinha de teatro, das exposições de arte, deles e das visitas que fizemos, de despertar o interesse político e assistencial, de mostrar o nosso compromisso com o outro, com o desprotegido da sorte.

Do acolhimento em momentos difíceis, que como todos, eles também os têm.

Então neste Dia das Mães recebi todo carinho e reconhecimento: flores de um jovem estagiário de direito , que pensa que às mulheres só se dá flores ou jóias, o que já tem feito a algumas namoradas. E da minha princesa, estagiária de RP, de um grande conglomerado financeiro, que no texto de uma singela almofada me  causou a grande emoção e a certeza de que como avó sou entendida e amada da maneira que sou e como sou.

Coisa de vó!

“ Vive tricotando conversas e bons conselhos; Tem óculos bifocal: enxerga corações e mentes; Tem a receita perfeita para curar corações feridos e  um TALENTO ÚNICO para ser mãe  e melhor amiga.”  É a minha avó!

Gente, fiquei muito feliz pois esta é a vó que me esforço em ser. Parece que estou conseguindo. Obrigada Carol e Rafa!

Maryur Tedesco Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

De mãe

Por Maria Lucia Solla

mãe é ser divino
e o somos todos
ou não?
pai filho irmão santo demônio
andarilhos na mesma estrada
entoando cantilena com coração e mente recheados de sentimento ressentimento
desejo sonho
de contradições que se chocam arrastando umas as outras
num pra-lá-e-pra-cá de ficar zonzo

 

na verdade somos só machos e fêmeas
homens mulheres garfos colheres
nada há que nos dignifique
além do amor que se manifesta na compaixão na alegria e na dor

 

estou enganada
ou o emissário de Deus veio mesmo trazer a mensagem
de que a lei dali pra frente seria o amor
e que o resto era descartável
bobagem

 

vivemos no entanto a chorar da dor
dando crédito demais ao desgosto
a recusar o amor que é proposto

 

pois bem
entre homens e mulheres
foi a elas sugerido que carona dessem
pra que outros viessem
e suas lições aqui aprendessem

 

como árvore a mãe dá fruto
num milagre constante
gera fragmento
que quando vinga se torna completo para ser

 

a história da santidade materna não me convence
confesso
pois há pai que merece mais que ela
que cuida do rebento de caderno livro e de panela
relegando a plano inferior o que antes era valor

 

hoje eu
em meio à religião
ao perdão ao ladrão e ao espertalhão
vislumbro só um pecado
o de nos considerarmos só corpo
e deixarmos a alma de lado

 

bem e mal existem
mas não separadamente
como um não conter o outro
só os cegos de plantão nisso ainda insistem

 

assim que hoje em vez de homenagear cada mãe-amada-e-a-não-amada
escolho olhar a criança violada e o pequeno abandonado
seja ele pobre ou abonado

 

quem diz que mãe é santa
mente
quando ontem hoje e amanhã
a menina violada se faz mãe de repente

 

Sê plural como o Universo

Por Francisco Solano Carneiro da Cunha Neto

Todo gênio caracteriza-se pela consciência de quem é. Gênio inconsciente de seu poder é paradoxo que a humanidade ignora e é justamente porque ela ainda não tem consciência de si mesma que não é genial e calamitoso o seu estado. Fernando Pessoa se via maior que Camões e dizia isso com naturalidade e convicção, pois achava que o bardo não deveria ter escrito Os Lusíadas em decassílabos que tornaram plebéia sua epopéia, mas nos solenes hexâmetros de Homero ao compor Ilíada e Odisséia. Errou porque enquanto poeta Pessoa não é maior que Camões, mas também acertou porque, além de poesia propriamente, escreveu prosa brilhante sobre quase todos os assuntos, algo que seu conterrâneo nunca fez.

Mas, o que é ser gênio? Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Tudo o mais pertence ao talento. A tal ponto a criatura ama o Criador que esse desvelo resulta naturalmente em criação, milagre fora do qual restam apenas tentativas falhadas de superar a ojeriza que o civilizado tem ao ato criador. Em outras palavras: de tal forma o filho ama seus pais sagrados que estes lhe outorgam o poder, em princípio só deles, de inventar ou dar à luz a si mesmo, iluminar a treva, trazer o inconsciente ao reino da consciência. Sem dúvida, o dom maior que nos é concedido porque assim nos tornamos deuses, donos de nosso destino, seres realmente livres. Agora podemos compreender porque nossos pais invisíveis não podem passar a mão em nossas cabeças para nos consolar de uma insegurança fruto do medo da Vida, atitude somente admitida aos nossos pais visíveis. A criação nos tornando divinos é a maior conquista do homem e todo dia ela deve ser renovada, algo que só acontece com o sacrifício de nossa personalidade mundana que passa agir como servidora do ato criador do humano perfeito. A missão do homem é praticar cotidianamente esse milagre, único que nos é dado realizar, para júbilo nosso e dos semelhantes, para nos mantermos integralmente humanos se não desde o berço, ao menos até o túmulo a partir do momento em que tomamos consciência de sermos filhos de pais eternos e universais antes de sê-lo de carnais. Só depois de nos sabermos filhos de Deus é que podemos acatar de fato nossa filiação a José e Maria, Jesus e Madalena, Antonio e Ana, etc. Passamos então a vivenciar o encantado paradoxo consistindo em que nossos pais terrenos são na verdade nossos irmãos, como cada uma das outras pessoas cá da Terra.

Sempre muito zeloso de sua liberdade ou poder criador, o lema de Fernando Pessoa foi: Sê plural como o Universo. Para ele o maior feito do homem era ser gênio anônimo, pois como Emily Dickinson sabia perfeitamente que a fama é inimiga da criação. Se como escritor de peças para teatro não foi nenhum Shakespeare, muito pelo contrário, tendo sido o seu mais grave pecado não haver recriado em nossa língua os textos do inglês, algo que só ele poderia ter realizado à altura do colega, o que fez para manifestar sua neurótica ou dramática pluralidade? O ator pode ser o outro de si mesmo por meio da contínua criação de personagens no palco, mas se o excelso poeta não foi ator de teatro em contrapartida o foi em vida ao inventar personagens, seus heterônimos e semi-heterônimos, cujos nascimentos e mortes foram datados tendo inclusive seus mapas astrais traçados. Todos os dias convivendo com eles, fez com que mantivessem relações entre si elogiando e se criticando mutuamente. Isso tudo encontramos testemunhado e anotado, analisado e vivido nas Obras publicadas por Lello & Irmão. Nesse sentido, foi mais brilhante que o espanhol seu xará Arrabal. Mas tamanha dramaticidade jamais roubou ao poeta tempo e espaço para a manifestação de sua ortonomia, algo que está sobejamente manifestado no diálogo que sem cessar ele manteve com os outros de si mesmo. Em vida só por bem poucos reconhecido, seu gênio reinou sobre um talento impar que só cuidou em servi-lo.

 

Divagando sensações

Por Suiang Guerreiro de Oliveira

Estou num momento de espera. Qualquer movimento meu não me levará a lugar algum. Dependo de pessoas, de números, dependo… e aguardo, aquietando o coração, mantendo a fé, deixando a ansiedade de lado e confiando que tudo acontece quando deve acontecer. Claro que essa expectativa de vida me deixa ligeiramente irritada em alguns momentos. Às vezes os mais próximos sentem os efeitos dessa irritação, mas, no geral, tento me calar. É uma fase que posso aproveitar pra remexer meu baú de sentimentos. Consigo distinguir com uma certa clareza o que me serve e o que deve ser jogado fora. Ai, que fase!

Nas horas em que o nada sobressai, Bono Canis me abana o rabo e sorri com os olhos. Ele brinca, corre, cansa e se deita no meu colo, procurando o afago que faz bem pra ele e pra mim. Embarco nesse não pensar canino, é só diversão, sincera, descompromissada, sem cobranças. Ai, que delícia!

À noite, quando a pressão do dia cai, o telefone para, os e-mails dão um tempo, o filho joga no videogame, a filha curte o cão, o marido vai dormir, tempo pra curtir um som “da minha época”. Ai, que saudade!

 

Um beijo

Suiang Guerreiro de Oliveira é canceriana, jornalista, não é chinesa e promete escrever neste blog, às terças-feiras.

 

Romênia, Grécia, Brasil – Memórias

Por Maryur Tedesco Silber

Uma saga da imigração no século XX. Uma história de luta, superação e, finalmente, a vitória de uma família romena que perdeu tudo duas vezes: primeiro para os nazistas, depois para os comunistas.

Theodore Georgiadis,  como um dos protagonistas desta história, resolveu escrevê-la legando à família, aos amigos e a todos que vierem a fazer sua leitura , uma aula de história e política moderna, narrando de forma clara, precisa e nem por isto, menos profunda, a crueldade e a violência a que foram submetidos romenos e gregos, pelos regimes: nazista e comunista.

Filho de família abastada e socialmente ativa, ligada a membros do mais alto escalão político e   religioso do país, Theodore recebeu nos primeiros anos, esmerada educação  em sua cidade natal: Brasov, na Transilvânia, vivendo as experiências típicas dos membros da sociedade rica e produtiva de então.

Mas cedo conheceu as agruras dos dois regimes, sendo seu pai: empresário e industrial dos mais bem sucedidos, preso e processado como inimigo do sistema, tendo confiscados todos os bens. Ainda assim, conseguiram imigrar para Grécia, país de seus ancestrais, apenas com a roupa do corpo e passaporte, onde novas vicissitudes os aguardavam, decidindo depois de muita luta e sofrimento recomeçar sua história no Brasil.

Aqui Theodore chegou aos 18 anos, com seus pais e irmãos reiniciando uma nova batalha, a última. Vivenciaram todas as dificuldades possíveis, muitas vezes comuns as de outros imigrantes que aqui buscaram: Paz, trabalho e, principalmente, a construção de uma nova vida.

Pois Theo, como é chamado pela família e amigos conseguiu recomeçar aos 18 anos, sem falar o idioma, sem recursos, tendo como único privilégio a esmerada educação recebida na infância, enfrentar a tudo, legando, hoje, a seus filhos e netos, que são meus também, pois sua filha é minha nora, um belíssimo patrimônio. Não abordo o sucesso profissional e material como médico e industrial, mas sua fibra, tenacidade e caráter como filho, marido, pai e agora avô.

Parabéns Theo, e obrigada por este exemplo de vida ao Eduardo e Valentina!

E a meus seguidores no blog sugiro: Leiam o livro, é uma interessante aula de história moderna.

Maryur Tedesco Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

 

Olá,

peço desculpas a todos os nossos amigos, que esperam encontrar o pensamento da Maryur todo sábado de manhã publicado neste espaço.

Falha 100% minha.

Maryur é impecável!

 

beijo,

ml

De arte

Por Maria Lucia Solla

é o representante do povo

um indivíduo legal

é ele que escolhe a rota

ou sou eu que norteio

a ausência do meu sonho

pelo seu desmando

 

penso no que conheço

e naquilo que desconheço

e me vem de pensar no crime e na justiça social

na escolha e no escolhido

e me vem de chorar

de fatos tristes lembrar

sem compreender

encolhida tolhida sofrida

pelo  homem que rapina e o que é rapinado

o que assassina e o que é assassinado

pelo agressor e o agredido

que vivem nas margens virtuais e opostas do mesmo rio

afogados e estufados de razão

altivos nocivos agressivos

mumificados

 

na cena da tv

vejo o bandido que é triste de ver

feio na minha visão

que na sua não-aceitação

do que considera oposto

me leva a retroceder

 

e retrocedendo percebo

que o que não gosto nele

é o que não gosto e reprimo em mim

 

no tempo em que bando se armava

de palavra lápis e papel

era o estado reconhecido

a banda aceita por quem lhe era fiel

que trucidava e escondia no porão

onde jazia o dito ilegal

que acabava morto

por valoroso federal

 

tudo meio legal

valendo

e acontecendo

em dia de trabalho e no Natal

um sem-fim de ossada

enterrada na surdina

e haja família destroçada

 

hoje é ainda

o colarinho branco meio legal

que prepara o mingau indigesto

é a banda podre e marginal

que atiro sem dó no lixo

como se podre fosse mesmo o que é

apagando do meu pensamento

o que quero e desconsidero

 

não é arma nem repressão

inconformismo

e muito menos agressão

que vão resolver nossa situação

 

na verdade considero

a arte e não a dor

o poder civilizador

e não sou eu quem o digo

mas o francisco que me disse que quem disse

foi Oscar o Wilde

e eu que nada sou

os bendigo.

 

Luca Valerio D’Amico conquista New York

Se você estiver por perto, não perca a exposição do Luca.

 

 

IMPACIENTE, EU?

Por Suiang Guerreiro de Oliveira

 

Já fui chamada de impaciente – eu diria ansiosa – mas seja lá o que for, me sinto cada dia mais paciente – e menos ansiosa – por uma série de motivos. Passei a acreditar mais que as coisas acontecem na hora certa, por isso não adianta suar frio esperando o telefone tocar, ou o e-mail chegar – tudo virá a seu tempo, como diria minha avó.

Com essa perspectiva mais amena, as coisas parecem que fluem na medida certa do sistema nervoso: não dá tempo de ficar estressada por qualquer coisinha. Também não precisa sair dando respostas – escritas ou faladas – intempestivamente. Dá pra levar no ritmo, sem atropelar nada nem ninguém, na hora certa.

Mas é bom avisar que não virei monja, nem santa, nem tenho nervos de aço, só que consigo pensar antes de alguma reação mais raivosa. Pode ser a idade, pode ser a busca de aquietar a mente e o corpo, pode ser tudo isso e algo mais não detectado. Mas é um estado pra curtir…

Um beijo tranquilo e sereno

Suiang Guerreiro de Oliveira é canceriana, jornalista, não é chinesa e promete escrever neste blog, às terças-feiras.

 

O pudim da Bárbara!

Por Maryur Tedesco Silber

Com frequência abordo temas subjetivos que me atraem mais do que assuntos políticos, crises ou escândalos do momento. E nesta linha mesmo, sem querer, acabo expondo um pouco de  meus sentimentos e vivências. Já contei bons e maus momentos, já falei e muito de pessoas queridas: familiares e amigos. E hoje volto ao tema.

Considero a amizade o mais sólido dos sentimentos, pois nem um grande amor sobrevive sem o esteio de uma grande amizade, e assim cultivo este sentimento como planta preciosa, busco  sempre o convívio, a partilha, a mão estendida, a confiança. Dando e recebendo, ao longo da vida, fui formando grupos que se reúnem com frequência: o das amigas de infância, o das amigas por afinidade, o das primas e até o das virtuais. Por temperamento, geralmente, eu motivava e organizava quase todos os encontros, de alguns grupos, mensais; de outros, mais  freqüentes.

Nos últimos meses, entretanto, me vi apática, mais frágil, menos determinada. E para minha alegria, as minhas queridas amigas assumiram o bastão organizando nossos encontros, com muito carinho, estímulo e até comidinhas caseiras. Que um bom encontro, um bom papo sempre crescem em torno de uma boa mesa plena de calor humano!

Foi o que fez a Maria Luiza, amiga de infância, uma sólida relação desde nossos pais. Carinhosamente reuniu “o grupo antigo” para um carreteiro em sua casa, que estava delicioso, completo, com todos acompanhamentos à moda gaúcha.  Mas a chave de ouro, foi a sobremesa: O pudim da Bárbara, sua filha, que estava bárbaro!  Era um simples pudim de leite condensado, mas digo sem erro: o mais lindo, dourado e gostoso que já provei em toda vida. Bárbara é advogada, casada, tem 2 lindas meninas e exerce a profissão. Pois mesmo assim fez questão de preparar a sobremesa para tia Maryur. É claro que fiquei além de grata, deliciada e emocionada. Obrigada Bárbara!

Maryur Tedesco Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

 

De download e update

Por Maria Lucia Solla

Olá,

 

todos os meus corpos, seguindo a linha eletrônica dos tempos modernos, passam navegando na dispensa do plano expandido em que estamos vivendo, buscando novos programas e atualizações. É um tal de escolher, baixar e atualizar, sem trégua. Na sequência de um download bem sucedido, quando há boa conexão, vem o procurar saber exatamente para o que serve, entender o funcionamento, experimentar, experimentar e, comprovada a afinação entre o programa, minha plataforma e a real necessidade de sua aplicação, começar o treinamento. Acerto e erro, inevitáveis, dão um empurrãozinho na compreensão. Treinamento leva a aproveitar cada característica, e por fim vem a escolha dos feijões: este fica, este vai. Deleta daqui, instala dali e vou me acostumando, rejeitando, esperneando cada vez menos e aproveitando cada vez mais.

 

Tempos difíceis estes. O processo exige atenção, flexibilidade, disponibilidade e principalmente mansidão. Nada de atirar o computador no lago se a gente se embreta. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. A vida vem em ondas como um mar, num indo e vindo infinito…” e não me canso de citar um dos meus filósofos favoritos, o Lulu Santos.

 

Fico matutando na quietude e imobilidade da cadeira no meu terraço, olhando os passarinhos que vêm reivindicar bananas ou apenas cantar bom dia, ou no ritmo do que se apresenta ao longo do dia:  lavando a louça, inventando uma receita gostosa para o almoço, com o que encontro na geladeira, ajeitando a cama de manhã para o quarto ficar semi-apresentável para mim mesma, dando aulas, indo daqui para lá, escrevendo,  limpando, lendo, estudando, preparando um café com cheirinho de afeto para alguém que amo; e matuto. Será que são os tempos que mudam? Não faz sentido. Acredito que quem muda somos nós. Cada um no seu ritmo, na velocidade que consegue desenvolver sem dar com as guampas no poste e principalmente segundo o seu impulso. Não adianta estrebuchar tentando instalar um programa no outro. A coisa é pessoal. Ou a gente faz ou não faz. E se faz, e quando faz, aí sim pode, não intencionalmente, influenciar o outro a matutar também e, se for o caso, entrar na dança e começar a escolher os seus programas, baixar ou não, experimentar ou não. Mas, definitivamente é cada um por si e Deus por todos, apesar de que a união também faz a força muitas vezes, mas não sempre.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Vaso quebrado não tem conserto

Por Suiang Guerreiro de Oliveira

 

Como canceriana e Cachorro no horóscopo chinês, a traição pra mim é uma injeção de veneno! Preciso usar toda minha fé, meu conhecimento e minha inteligência pra inocular essa substância e não morrer com a garganta fechada.

Mas o que pode ser mais cruel que uma traição? Você confia numa pessoa, deposita nela um crédito imenso, e tem em troca o nada. Sim, o nada. O nada inclui tudo que deixa um ser humano abaixo da linha do respeito: ignorância, pouca inteligência, desprezo e, principalmente, desrespeito ao próximo em detrimento apenas dos seus interesses. Não estou falando da relação entre duas pessoas que se amam, mas de pessoas que trabalham juntas, que têm uma interdependência entre elas.

Esta semana vivi esse conflito. Ainda não digeri tudo da melhor maneira, mas não perdi o sono. Só sinto uma tristeza profunda ao verificar que o ser humano ainda está longe de entender o que é dignidade, respeito ao próximo, consideração…

Mas já vivi um pouco e sei que não preciso blasfemar nem rogar pragas – a vida logo trata esse comportamento com justiça! É só esperar.

Um beijo

PS: Vou confessar: achei que hoje era segunda-feira, dia que eu escrevo pra este Blog, mas fiquei gelada quando constatei que isso foi ontem – e, portanto, o texto já deveria estar nas mãos da Maria Lucia… Mil desculpas!

Suiang Guerreiro de Oliveira é canceriana, jornalista, não é chinesa e promete escrever neste blog, às terças-feiras.

Release the Expectations

Tuesday May 1, 2012

We often expect certain responses from friends and they let us down. Or we have clear ideas about the way certain people should treat us after all that we’ve done for them, and they prove to be ungrateful. In truth, these are excuses to be the effect, not the cause of our relationships.

If we are to stay open for good things to enter our life, we want to embrace the kabbalistic principle of asking the Light for what we need in life, not for what we want.

Não te rendas

Por Maryur Tedesco Silber

 

Adoro a literatura latino-americana: Vargas Llosa, Cortazar, Eduardo Galeano, e entre eles, especialmente, a poesia do uruguaio Mario Benedetti com sua capacidade de descrição dos sentimentos, dos momentos introspectivos com emoção e sensibilidade.

São palavras sobre o AMOR:- Pelo outro, pela vida e, principalmente, por nós mesmos. No último sábado recebi, de uma amiga que, mesmo não sendo íntima, é alguém que quero bem, um belíssimo poema de Benedetti, um dos meus favoritos, que faz algum tempo não lia:  NÃO TE RENDAS. Grande presente!

Pela oportunidade, pela sua importância para todos nós, pensei em transcrevê-lo na íntegra, mas como já confessei sou um pouco preguiçosa, decidi “pinçar” o que mais me tocou para compartilhar com vocês.

  “Não te rendas, ainda é tempo de ter objetivos e começar de novo. Aceitar teus medos, e retomar o vôo.

    Não te rendas que a VIDA é isso, continuar a viagem, destravar o TEMPO, desanuviar o CÉU.

    Não te rendas, por favor, não cedas, ainda existe fogo na tua ALMA, ainda existe vida nos teus sonhos, porque a VIDA é tua e também os teus DESEJOS. Porque não existem PENAS que o TEMPO não cure.

    Viver a vida e aceitar o desafio, tentar de novo e se apossar dos céus!

     Não te rendas, por favor, não cedas. Porque cada dia é um novo começo, esta é a HORA e o melhor MOMENTO.

      Não estás SOZINHO!”( Mario Benedetti)

Transferindo este presente a vocês partilho um momento de poesia e reflexão, uma pausa de amor na correria do cotidiano, dizendo:- Valeu Zilda, obrigada!

Maryur Tedesco Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

 

Hunger is the Best Sauce

Thursday April 26, 2012

 


What’s the difference between the beginning of a relationship and the end? Effort and appreciation have gone away. In the beginning we dress nice and watch our words, but over time, we stop putting our best foot forward. It just becomes, whatever.

The secret of keeping what you have is proactively putting yourself in a place of poverty. Igniting the feeling of ‘not having’ creates massive gratitude for what you do have.

Hunger is the best sauce.

Remember the Good

 Tuesday April 24, 2012

Too often we forget the kindness that others have shown us the moment they fail to live according to our agenda and our expectations. Losing appreciation for the good others have done for us is the beginning of forgetting what the Creator does for us every single day.

Appreciate the people who have helped you, so that you can reach a higher level of appreciation for what the Creator gives you.