Narrativas Poéticas

Por Maryur Tedesco Silber

Narrativas Poéticas, uma iniciativa cultural do programa: “Convivendo com arte”, realização Santander Cultural, está encantando o público gaúcho com um instigante diálogo entre poesia e artes plásticas brasileiras.

Num sensível trabalho de curadoria o público é levado a uma reflexão sobre artes visuais e poesia através de pinturas, gravuras, esculturas e fotografias de artistas como Di Cavalcanti, Portinari, Manabu Mabe, Volpi, Iberê Camargo e mais nomes de igual expressão; além de fragmentos de poemas de Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana e outros tão importantes quanto. A exposição enriquecida por elementos multimídia: aúdios e projeções, leva a um devaneio entre diferentes interpretações e emoções diante da arte.

“Em principio, tudo no poema interage com tudo, e tudo é importante.”

“Em principio, tudo numa pintura interage com tudo, e tudo é importante.” (Os curadores)

Sob este espírito somos levados a interagir com sensibilidade, intuição, imaginação e até humor estabelecendo relações entre a proposta e a mensagem de artistas plásticos e poetas numa caminhada repleta de beleza e questionamento.

Pela qualidade do acervo, pelo alto nível da curadoria vivi momentos mágicos, usufruí o melhor das imagens poetizadas e saí feliz da exposição.

Recomendo.

 Maryur Tedesco Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

De quê?

Por Maria Lucia Solla

E vou falar de quê; de esperança?

 

Ando lendo notícia demais e acho que, por isso, a esperança pulou mais alto para ser escolhida como tema. Pulou é fraqueza de expressão. Ela se apoderou de mim. Na verdade está agarrada ao meu pescoço. Não sozinha; ela e seu lado escuro, a desesperança. As duas. Inseparáveis. E eu de língua de fora. Preciso da primeira para me salvar do abismo da segunda, e da segunda para me salvar do falso pódio da primeira. Preciso que esperança e desesperança se calibrem, para não viver uma vida cor-de-rosa esperando que a vida me viva, ou desistindo dela. Na inércia e no medo.

 

Esperança rima com criança e é uma marca infantil porque não cresce naturalmente em nós. Na área da esperança, quando adultos, vivemos infantilmente, e ela continua de calças curtas e de fita no cabelo. Continua uma esperança pidona, ausente sempre do presente.

 

Esperança foi colocada no nosso pacote de viagem não para que sentássemos e esperássemos. Seu nome confunde Não veio no kit principal para que dependêssemos da benevolência de papai e mamãe que podem transformar esperança em realidade; numa bicicleta, na tenra idade, ou num carro, mais tarde. Esperança vem na medida de cada um e cresce na medida em que cada um cresce.  Para o lado que cada um crescer. Esperança é impulso, e não razão para sentar e esperar.

 

E vou falar de desesperança? Falar dela é chover no molhado, é dar trela ao tinhoso, é cutucar o vespeiro, é surfar na onda da queixa. Me deixa! Todo mundo se queixa de tudo. Do governo e do desgoverno, do crime grande e do pequeno, do que tem e do que não tem. Um dia é porque eu quero que a vida seja assim, no dia seguinte porque quero assado.

 

Mas antes assim; foi melhor olhar de perto o pacote das des-esperanças e deixar de lado violência, tornado, seca, enchente, vandalismo, corrupção, filha que mata mãe, pai que mata filho, ser-humano que queima ser-humano, arrancando, uns dos outros, o osso do dia. Em todas as áreas e classes. Em toda a espécie humana. É pandêmico.

 

Pai, esvazio, aos teus pés o meu cálice de des-Esperança, e Você me preenche de Fé. Combinado?

Inglês Um Dois Três

“À Beira do Abismo me cresceram Asas”

Por Maryur Tedesco Silber

Que adoro teatro quem me conhece já sabe, pois na medida do possível meu entretenimento favorito é assistir a uma boa peça teatral. E temos dado sorte, nas últimas semanas aqui em Porto Alegre.

Bons textos, boas montagens e até bons atores.

Mas vou me deter na que assisti domingo e é a razão deste texto: “A Beira do Abismo me cresceram Asas.”

Transitando entre o cômico e o triste o texto de Fernando Duarte é resultado de sua pesquisa por asilos e casas geriátricas, Brasil afora, colhendo depoimentos de pessoas de 3ª ou 4ª idade. Não compactuo com a denominação, porque não, simplesmente idosos? Mas não importa, e sim o resultado que é excelente.

A soma dos talentos das atrizes Maitê Proença e Clarisse Derziê Luz e da direção de Clarice Niskier oferecem num espetáculo tocante e despretensioso uma visão real e emocionante do que é envelhecer.

Envelhecer tentando driblar as rugas, não só as físicas, sobretudo as que se formam no coração e na alma é o que vimos e sentimos no palco com um texto sensível, inteligente e apesar de tudo bem humorado.

Duas histórias, duas mulheres tão diferentes e tão iguais nas suas memórias, alegrias e frustrações, mas, principalmente, tão unidas na solidão desnudando suas almas em gestos de solidariedade e compreensão.

Um belo espetáculo, onde a cenografia, iluminação e figurino foram coadjuvantes perfeitos em seu despojamento, valorizando a essência da obra, mostrando a fase em que as máscaras já caíram e a conclusão é como disse Piaf:

“ Velhice não é para covardes.”

Maryur Tedesco Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

De tenho saudade de mim

Por Maria Lucia Solla

 

Nunca pensei que um dia eu diria isso. Na verdade acho que é a primeira vez que sinto saudade de mim, mas é o que estou sentindo agora. Agorinha. Vai ver até já faz tempo que essa saudade anda por aqui, e eu é que não percebia. Não distinguia.

 

É uma saudade inebriante que tira o chão, puxa rédeas que a gente imagina ter seguras nas mãos. Pois certamente não as temos, e se quiser saber, acho que nem existem, as tais rédeas. Nem as rédeas, e quem sabe, nem as mãos. Só barras imaginárias que retardam a caminhada. Às vezes se abre uma brecha e a gente passa, mas se não passa, o tempo passa.

 

Vou trazer essa saudade de mim, mais a admiração e a saudade que sinto dos meus filhos, confessando sempre minha  gratidão pelo tanto que aprendo com eles, trazendo de volta meu segundo texto neste blog, em dezessete de junho de dois mil e sete.

 

 

“De música e família

 

Olá,

 

Fui passar o final de semana na casa do meu filho, no extremo sul de Minas Gerais. Ele mora com a família, no topo de uma montanha cercada de vales, de outras montanhas e da natureza toda, com a qual convivem respeitosa e agradecidamente.

 

Sempre aprendo, e aprendo muito lá.

 

No final da tarde de sexta-feira estava lendo, tranqüila na sala, quando comecei a ouvir meu filho no banheiro, administrando um de sete, um de cinco e uma de três, no banho. O resultado era um quarteto afinado, composto de uma só família de instrumentos que emitiam sons completamente diferentes.

 

Ouvi de gritos de Tarzan a choro, e risadas de quase perder o fôlego. Às vezes meu filho, o primeiro violino, conseguia um solo surpreendentemente calmo e equilibrado, mas era por pouco tempo porque os outros instrumentos se atiravam literalmente em cena. Os movimentos da peça eram inesperados e surpreendentes. Tinham começado hesitantes, na entrada do banheiro, num adagio ma non troppo, e crescido até chegarem ao allegro. Tudo indicava que haveria um segundo movimento, mas não demorou para que quebrassem todas as regras e ziguezagueassem entre extremos.

 

Sem aviso prévio nem sutil indicação, um ou outro instrumento se retirava do conjunto, por espaços de tempo descompassados, e o andamento continuava surpreendendo. Havia ais, havia uis, havia sai daí que agora é minha vez, e olha ele pai! E eu, de camarote, sorria, me deliciando. Lavou bem a orelha filho? Ai pai, meu olho! Enxuga bem no meio dos dedos. Deixa eu ver atrás da orelha. Ai!

 

Quando estavam todos vestidos e cheirosos, meu filho pediu para eu secar os cabelos da criançada, e plugou o secador na tomada ao lado do sofá onde eu tinha sentado para ler.

 

Terminada a tarefa, dei graças aos céus por serem só três cabecinhas molhadas. Era o meu limite. Os cabelos da pequena, além de longos, finos e loiros, são cacheados. Bastaria um deslize para que eu perdesse pontos preciosos da sua confiança.

 

Entrei no quarteto, no meio de nova execução, quando fui à saleta de televisão onde se acomodavam todos para ver um filme, mas não demorou para eu perceber que a melodia resultante era bem diferente da que eu ouvira antes, vinda do banheiro. Saí de cena para testar e percebi que a melodia recobrava a harmonia original.

 

Tomei então a decisão de conter meu instrumento. De hoje em diante vou tocar mais baixinho, acompanhando mais do que solando. Quem tem ensaiado junto todos os dias, ano após ano, tem maestria do conjunto. Eu não. Sei que toco bem, sem falsa modéstia, mas no conjunto, sem ensaio, faço apenas o que posso, de improviso, no momento da apresentação.

 

Nunca tinha olhado para nós mesmos, através dessa lente. Gostei. Não posso dizer que vejo mais, mas seguramente vejo melhor.

 

Quem disse que vovós e vovôs não ouvem e não veem bem?”

(originalmente publicados no blog do Mílton Jung)

Inglês Um Dois Três

De falar e escrever

Por Maria Lucia Solla

Olá,

 

este espaço é reservado a textos sobre a língua portuguesa, o que me dá licença de falar dela sem entrar na sua intimidade, coisa que faço o tempo todo.

 

Falar, escrever, é como tocar um instrumento, só que esse você toca e guarda. Agora, falar, falamos o tempo todo. Escrevemos o tempo todo, nas redes sociais, nos blogs, nos emails. Paramos de falar e escrever quando dormimos, mas continuamos falando e ouvindo, nos sonhos.

 

Começamos o dia com um ‘bom dia’ e terminamos com ‘boa noite’. Interpretamos da língua os seus sons, códigos, pausas, sílabas fortes, ritmo, entrelinhas, cadência, melodia, batida, plurais sibilantes, nasais abafados, rouquidão sensual. E é com essa carga melódica que nos apresentamos ao outro, levamos adiante um papo, pedimos emprego, damos o fora, nos declaramos, reclamamos, agradecemos, amamos e nos derramamos.

 

E tratamos a principal ferramenta que nos liga ao outro, como se fosse nada. Como se fosse um fardo. Como se fosse um traste velho.

 

Meus alunos brasileiros sempre me dizem que é muito chata a aula de português na escola. Pudera! Aprender nome e sobrenome de cada integrante da língua e dos diversos papeis que representam em cada peça, em cada frase, é coisa para professor.  Convenhamos.

 

Então, o fato de tratarmos a tapa e bofetão a nossa língua, o elo mais forte de um país, é culpa de maus professores que gostam de falar bonito e acabam se afastando do aluno? É culpa do programa de ensino? Culpa do exemplo que vem de ‘cima’? Culpa do Ministério? Do governo? Da ‘presidenta’? Culpa dos pais que não incentivam os filhos a lerem?

 

E me diz se ainda há tempo de buscar culpados. Importa de quem é a culpa?

Só importa que podemos resgatar o prazer de falar e escrever bem.

 

Mas não esquece que escrever e falar bem não quer dizer falar difícil. Quer dizer falar e escrever claramente. Se fazer entender. É respeitar quem vai te ouvir ou ler.

 

Na dúvida, todos os dicionários do mundo estão ao alcance dos teus dedos no teclado, que é onde você deve estar agora.

 

Experimenta, ou não, e até a semana que vem (aproximadamente).

Minha coluna de domingo no blog do Mílton Jung

http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/miltonjung/

 

 Chega lá!

Inglês Um Dois Três

Olá,

This message came to me in an e-mail sent by The Kabbalah Centre International

 

Olá

desculpem a demora em me fazer ouvir.

Amigos,

a Maryur não está conosco hoje, em texto, mas ela está ótima.

É a relação dela com o novo computador e o técnico em informática que não anda tão bem assim.

Promessa dela: assim que se entenderem, ela volta a escrever.

Maryur querida, aproveita e descansa.

Beijo,

ml

De gratidão

Por Maria Lucia Solla

De gratidão

 

A sexta-feira se arrastou chorosa, cinzenta e escura, o que geralmente teria sugado meu quantum energético e com ele meu sorriso e tudo mais, mas desta vez não fraquejei e resolvi as coisas práticas do dia a dia. Práticas não sei se é o termo certo para tarefas que se a gente não faz, se ferra. Tenha saúde ou não.

 

Para coroar, preguiça física e mental.

 

Foi nesse cenário, e depois de algumas tarefas realizadas, que optei pela introspecção, ou seja, meu quarto, cama quentinha, abraço do edredom, silêncio, um bando de travesseiros em volta, Valentina do lado; atenta! ‘O que é que ela está fazendo na cama a esta hora?’ Cachorro não precisa de relógio. É amor, e pronto, sem hora, a qualquer hora, sem lugar marcado. E foi aí, nesse lugar em que me aninhei, que dei de cara com a gratidão e deixei que ela me invadisse, como amante desejado. Sem fronteiras.

 

A cabeça dá conta do recado, o corpo também, e isso já é motivo para agradecer à vida. Moradia, alimento e saúde tem. O que vem além é lucro, e de lucro eu tenho as burras cheias. Meus amigos. Amigo de todo tipo, de toda parte, sempre alerta, de perto ou de longe, um olho espichado para ver se continuo firme, para me mostrar que continua ali. Uma palavra, um sorriso, um olhar. E eu agarrada neles. Gratidão.

 

Amigo é lucro quando a bolsa despenca, o dinheiro encolhe, a roupa envelhece, a ruga aparece. Amigo não abandona; se chega, mesmo quando você não serve champanhe, não abre a porta do salão iluminado para festa e não tem a mesa farta como teve um dia. Chega quando você está bonita e chega quando você está feia, perfumada ou cheirando a alho, contando piada ou chorando.

 

E foi aos meus amigos salvadores e aos meus filhos que me conectei.

 

Muitos desses anjos seguram as alças da minha vida para que eu não caia. Atentos, amorosos, presentes, mesmo na distância. Passo perrengues, o que não é privilégio meu, nem é segredo para ninguém, porque escancaro a vida. Fui feita sem cofre forte. Para mim é difícil guardar amor, gratidão, dor, alegria, lágrima, expressão.  Escancaro as portas do sentimento e não me arrependo. Escancaro com cuidado, só exponho a mim, e pago o preço com prazer.

 

No FaceBook, grande sala de encontro, postei minhas fotos enquanto estava em isolamento no hospital porque precisava de ajuda, não porque achei interessante expor minha dor e aparência. Eu precisava de energia de amor, que é o que me move. E precisava dela naquele momento, como o fim da noite precisa do começo do dia.

 

Pois foi essa energia, vinda de tanta gente, que me fez superar muitas dificuldades e que me encheu de vida e de esperança. E foi esta sexta-feira – e eu que não dava nada por ela… – que me levou a mergulhar de cabeça no espaço da gratidão. Desta vez, para valer!

 

Gratidão aos que literalmente pegaram e ainda pegam a minha mão, revezando cuidados, atravessando barreiras durante o bom e o mau tempo. Gratidão ao Dr. Amaury Amaral, ao Dr. Padula, a noventa e nove por cento dos meus amigos na internet, e a você, meu leitor, que sabe de mim já faz tanto tempo.

 

Gratidão pelos que me amam e por aqueles que, não me amando, me fazem conter o ego com rédeas curtas.

 

Gratidão pela vida, e a gratidão de sempre ao blogueiro Mílton Jung que acolhe os meus escritos há mais de sete anos, tragam eles chuva ou sol.

De por que, porque, por quê e porquê

Por Maria Lucia Solla

 

Temos um punhado de porquês à nossa disposição. E não é para atrapalhar não; é para ajudar.

 

Mãos à obra!

 

1. Tem o ‘por que’ da pergunta.

 

‘Por que você diz uma coisa e faz outra?’

 

2. Tem o ‘por que’ que equivale a pelo/pela qual, pelos/pelas quais.

 

A situação ‘por que’ passa a população de Oklahoma, atingida pelo tornado, é terrível.

 

3. Tem aquele ‘por que’ do motivo.

 

Eu sei ‘por que’ (motivo) ele age assim.

 

5. E o ‘porque’ da resposta.

 

‘‘Porque’ é inseguro.’

 

Até aí tudo bem, mas ainda tem as vezes em que é preciso acentuar o ‘que’ dos diversos porquês?

 

6. Quando o ‘por que’ termina a frase.

 

‘Por que ele fez isso comigo; ‘por quê’?!

 

7. E quando ‘porque’ é um substantivo, ou seja, quando é possível colocar o artigo antes dele.

 

‘Você quer mesmo saber o ‘porquê’?

É isso por hoje.

FaceBook

Por Maryur Tedesco Silber

Relutei, relutei muito mesmo para encarar o facebook, não é exatamente o meu gênero de comunicação. Nos meus bem vividos e felizes, às vezes nem tanto, 68 anos  confesso que um bom e-mail, bem explicadinho, lido e relido na privacidade sempre foi mais o meu jeito de ser.

Tinha uma página sem uso, que meu primo um expert em comunicação tecnológica criara para mim, mas noutro dia meu note parou e precisei de socorro, sobrando tempo, coisa rara, para o técnico e para mim, resolvi lhe pedir umas dicas. Foram rápidas , genéricas mas me atrevi ao convívio com o dito.

E Deus do céu! Que universo rico, complexo que vai nos levando pelo caminho da descoberta através do ensaio: erro e acerto. Me atrapalho e como gosto de ser gentil, procuro curtir, comentar, compartilhar para que todos saibam que lhes dei minha atenção. E isto está me tomando um tempão, agradável é claro, mas já ia até faltando tempo para escrevinhar este texto.

Porém o essencial, o motivo do meu encanto tem sido os reencontros. Antigos  colegas, amigos meio perdidos, alguns de mais de 40 anos, temos nos encontrado por aqui, trocado lembranças, curtido novidades, o que está sendo gratificante, e percebemos no que postamos, pela sua variedade, que as pessoas evoluem, mas sua essência permanece a mesma, e todos querem partilhar de algum modo o que lhes significa, o que é importante.

Bem agora estou diante de outra etapa: Tempo para me aprimorar no uso da ferramenta pois sinto minhas limitações e as bobagens que já cometi. Então preciso me organizar para um aperfeiçoamento.

Mas aos caros companheiros que me convidaram, adicionaram e aos que eu convidei fica meu abraço bem feliz. E vamos em frente!

 Maryur Tedesco Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

Inglês Um Dois Três

De eficácia e honestidade

Por Maria Lucia Solla

De mais eficaz farto-me, literalmente, na mídia falada, escrita e sussurrada. Só na arte não encontro a pérola, porque arte não precisa mentir.

 

Tudo começou quando eu estava fazendo arte. Olhos e mãos ocupados, ouvi a pérola: Está será a campanha mais eficaz que São Paulo já viu.

 

(Quando escrevi olhos e mãos ocupados, ali em cima, me dei conta de quanto são autoritários os governantes; têm certeza de tudo, mas miram mal quando tentam entender do que é que o povo precisa. Será que eu deveria ter dito: mãos e olhos ocupadas e ocupados, para andar na via do politicamente correto? Ótimo de qualquer maneira, porque não vou andar nessa via, e quero ver quem é que me arrasta. Continuo me comportando, em Roma como os romanos e na Língua Portuguesa de acordo com ela. Língua não se muda por decreto, que ela é livre. Só o povo pode com ela, usa e abusa dela, porque ela, como mulher de bandido, se deixa abusar.)

 

Então, voltando ao que dizia, meus olhos estavam focados no trabalho de mão, mas os ouvidos não. Se não é o silêncio, o escolhido da vez – que me faz sentir parte do mundo real lá de fora – é música ou tevê. Desta vez foi a tevê que me trouxe de bandeja a inspiração para este papo com você.

 

Comecei a prestar atenção, e foi uma avalanche. Fui atacada por dietas que se dizem mais eficazes, encontrei anúncios de Comunicação mais eficaz, li que a ONU quer ação mais eficaz, só não me lembro sobre o que falavam exatamente. O mais eficaz é que a toda hora sequestrava a minha atenção.

 

Até notícia esportiva dizendo que o Messi é o suplente mais eficaz da Liga, eu li. E a Língua Portuguesa sofrendo, gemendo, se contorcendo.

 

Agora, vamos combinar que eficiente é uma medida que faz a gente se aproximar da solução ideal, e que eficaz é a ação que nos leva ao clímax da projeção. Eficaz é o que nos leva ao ponto final. Não tem estação depois do ponto final, portanto meu amigo não existe mais eficaz assim como não existe mais honesto ou menos honesto. Ou o cidadão é honesto ou não é, e estamos conversados.

 

Ou melhor, não estamos, ainda não. Acredito que o povo precisa de arte, cinema, educação, livros, textos que lhe abram as asas da imaginação e que o impulsionem até onde não chega com as pernas do corpo. Acredito que o povo precisa de música, de poesia, de dança, natureza e alegria, para poder reconhecer seu valor e não se contentar com pouco, nem seguir modelo alheio, que povo mais criativo não há. Acredito que o povo precisa sempre querer saber mais, percebendo a cada tanto de aprendizado o quanto ainda tem para aprender. Acredito que nós, o povo, precisamos de mais tolerância e menos orgulho. Mais dúvida e menos certeza.

 

Agora sim, estamos conversados.

 

Obrigada por tua companhia e até a semana que vem.