Porto Alegre, em janeiro, nas Artes Plásticas

Por Maryur Silber

 

Duas semanas atrás quando contei das minhas primeiras andanças pelo circuito das artes plásticas no verão prometi que voltaria ao tema. E hoje quero compartilhar e quem sabe sugerir, aos que como eu estão na cidade, um tour por algumas das diversas mostras que encantam e enriquecem nosso verão porto-alegrense.

 

Foi programação para muitas tardes compartilhadas, quase sempre, com a mesma amiga, que como eu, adora artes plásticas e teatro, seguidas de um café ou de um refrescante sorvete, quando comentamos, trocando emoções e opiniões, tudo que vimos, tudo que gostamos ou não.

 

Iniciamos pela Fundação Iberê Camargo com a exposição de um dos gigantes da pintura e escultura no século XX, Giorgio de Chirico: – “O Sentimento da Arquitetura”.  Belíssima mostra, rica na intensidade e profundidade, características do pensamento e filosofia do artista, onde a  arquitetura e o imaginário visual são formas de entender a vida. Essa exposição itinerante, retrospectiva do artista italiano nascido na Grécia, integra as comemorações do Momento Itália/Brasil 2011-2012 e, sinceramente, considero imperdível pela força e beleza de sua obra.

 

Em outra tarde usufruímos o presente de 10º aniversário que o Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo está dando aos gaúchos e aos viajantes que passam por aqui: – “Dores da Colômbia”, uma individual de Fernando Botero. Expressão máxima da moderna arte colombiana, o artista de formação cosmopolita mescla, com humor e graça, o forte viés político de seu trabalho, em cujo contexto há, quase sempre, uma denúncia da opressão do homem pelo homem. Uma exposição que, sem dúvida, merece ser vista.

 

 

Prosseguindo nosso tour de janeiro estivemos visitando na Pinacoteca Aldo Locatelli, do Paço Municipal, outra interessante exposição: -“Paisagens de Porto Alegre”, uma sinfonia pictórica, onde linguagens diversas: pintura, gravura e desenho, tecem a magia da cidade desde os fins do século XIX ao início do século XXI, nas obras de Angelo Guido, Maristany, João Faria Viana e outros artistas nacionais e estrangeiros.

Além das artes plásticas uma eclética programação de teatro, música, shows, oficinas teatrais e musicais, permitem ao porto-alegrense e ao turista, uma extraordinária gama de opções culturais nos chamados meses de veraneio: janeiro e fevereiro.

Há vida inteligente pulsando em Porto Alegre no verão. Vamos aproveitar!

Maryur Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

 

 

Quem diz?

Olá,

 

quem diz que mensagem preciosa só vem de uma fonte?

TV ligada, programa feminino, eu ouço:

Respira, que Deus te inspira!

É mole?

Ciça Bueno e o céu

Olá,

 

Ciça sempre se expressa muito bem quando traduz o céu pra nós, mas desta vez se superou e quero compartilhar.

 

Como sou de Capricórnio com ascendente Aquário, já estava sentindo o que ela diz logo abaixo, sem saber que era isso.

 

Ciça, obrigada!

 

beijo,

ml

 

Você pode se inscrever para receber estes mapas do trajeto que a Ciça envia sempre que algo muda em volta de nós. Eu sou fã de carteirinha.

 

 

Reproduzo a última mensagem:

 

From: Ciça Bueno <cicabueno@uol.com.br>

Date: 27 de janeiro de 2012 12:04:30 BRST

To: Ciça Bueno <cicabueno@uol.com.br>

Subject: EVENTOS ASTROLOGICOS DE JANEIRO


 

Caros amigos e clientes,

 

tivemos dois eventos astrológicos importantes no céu desta semana.

 

No dia 23 de janeiro, às 5h40 houve a primeira lunação do ano em Aquário; no mesmo dia, Marte, o planeta da ação, o enérgico executivo de nossas vidas, entrou em retrogradação.

 

Uma lunação serve como um gatilho que dispara uma vez por mês um novo ciclo. Como satélite da Terra, a Lua a circunda tão de perto, que cria um campo eletro-magnetico sujeito às alterações conforme a fase em que Lua se encontra. É isso que mexe com a vida de todos nós. Aí temos a oportunidade de começar tudo de novo e de fazer melhor. A Lua nos ensina a repetir pra aprender a fazer melhor. Vale lembrar que os planetas não exercem nenhum poder sobre nós, mas que por sincronicidade, reciprocidade ou correspondência sabemos qual é a qualidade do tempo que viveremos aqui na Terra, conforme a configuração celeste do momento.

 

A primeira lunação do ano é significativa porque dá um tom de como será o período. No caso, um tom aquariano com ascendente em Capricórnio. Estejamos atentos ao que a intuição nos sussurra, mantendo o olhar à frente e vislumbrando o futuro, com pés sempre no chão e cabeça na realidade, como um bom capricorniano. Haverá dualidades, algumas dúvidas e muitas tensões, com Saturno de um lado e Júpiter de outro, ou restrições de um lado e expansões de outro, o que nos leva a fazer escolhas constantes.

 

Urano, o inutitivo e revolcucionário, também se liga aos luminares e pode ser precioso no processo pois nos traz maior nitidez sobre o futuro: vendo luz no túnel e sabendo qual é a direção a seguir é bem mais fácil fazer escolhas.

 

Como 2012 tende a passar numa velocidade impressionante, haverá surpresas, desafios e alguns espantos. Grandes transformações virão, sejam no plano pessoal, sejam no coletivo. Mais do que nunca será preciso manter o foco e as antenas ligadas. Saber quem se é e o que se quer da vida, pode ajudar a fazer escolhas mais fidedignas e mais próprias. Cuide do que realmente é relevante, estabeleça prioridades e deixe o supérfluo de lado. Cheque seus valores, repasse sua história e mire no futuro de peito aberto: humor e alegria serão fundamentais.

 

2012 será surpreendente pra todos nós e pro planeta, independente do que dizem ou não as profecias por aí. Quanto mais cedo aceitarmos que as mudanças virão e as recebermos com gratidão, melhor será.

 

Desde o último dia 23, Marte começou um movimento retrógrado no signo de Virgem e esse é o nosso primeiro desafio: algo ou alguém com que contávamos deu pra trás, desistiu, amarelou. Situações e relacionamentos se alteraram, se inverteram ou até travaram. Marte retrograda sempre que alguma situação passou muito dos seus limites e um acordamento é necessário pra que se encontre o “metron” perdido. O assunto em questão diz respeito ao setor de seu mapa onde reina o signo de Virgem. Pode pegar na saúde, nos relacionamentos, no bolso, nas relações familiares, profissionais e assim por diante. Pessoas com planetas ou posições pessoais naquele signo tendem a sofrer mais a ação deste trânsito.

 

Aceite e lide com a situação como ela é. E não fique irritado só porque as coisas não saíram como você queria. Seja aquariano: pense grande! E seja Capricorniano: mantenha o olho na realidade!

 

Coloco-me à disposição para dúvidas pelo e-mail cicabueno@uol.com.br ou pelo telefone 11 – 7165.5263. E não deixe de conferir a promoção do mês!

 

Com carinho,

 

Ciça Bueno 

Sol Cristal Amarelo

 

Ainda sobre o Veríssimo (o filho)

Olá,

melhor fazer o serviço completo, pensei, aí fui até o Blog do Noblat  e copiei o que colo aqui.

Aproveite!

 

Outro você

E dizem que rola um texto na internet com minha assinatura baixando o pau no “Big Brother Brasil”.

Não fui eu que escrevi.

Não poderia escrever nada sobre o “Big Brother Brasil”, a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro brasileiros que nunca o acompanharam.

O pouco que vi do programa, de passagem, zapeando entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraía tanto as pessoas — além do voyeurismo natural da espécie — numa jaula de gente em exibição?

Falha minha, sem dúvida. Se prestasse mais atenção talvez descobrisse o valor sociológico que, como já ouvi dizerem, redime o programa e explica seu fascínio. Pode ser. Os “Big Brothers” e similares fazem sucesso no mundo todo. Provavelmente eu e os outros três ou quatro resistentes apenas não pegamos o espírito da coisa.

Também me dizem que, além de textos meus que nunca escrevi (como textos igualmente apócrifos do Jabor, da Martha Medeiros e até do Jorge Luís Borges), agora frequento a internet com um Twitter.

Aviso: não tenho tuiter, não recebo tuiter, não sei o que é tuiter.

E desautorizo qualquer frase de tuiter atribuída a mim a não ser que ela seja absolutamente genial. Brincadeira, mas já fui obrigado a aceitar a autoria de mais de um texto apócrifo (e agradecer o elogio) para não causar desgosto, ou até revolta. Como a daquela senhora que reagiu com indignação quando eu inventei de dizer que um texto que ela lera não era meu:

— É sim.

— Não, eu acho que…

— É sim senhor!

Concordei que era, para não apanhar. O curioso, e o assustador, é que, em textos de outros com sua assinatura e em tuiters falsos, você passa a ter uma vida paralela dentro das fronteiras infinitas da internet.

É outro você, um fantasma eletrônico com opiniões próprias, muitas vezes antagônicas, sobre o qual você não tem nenhum controle,

— Olha, adorei o que você escreveu sobre o “Big Brother”. É isso aí!

— Não fui eu que…

— Foi sim!

 

Esse é ele!

beijo,

ml

Luis Fernando Veríssimo

Olá,

não deu pra resistir.

Cansei de receber por e-mail, mais uma vez, um texto atribuído a Luis Fernando Veríssimo que, diga-se de passagem e de estadia também, não é dele. Parece fácil fazer sucesso com a coroa alheia, mas ela sempre cai.

Sou fã do escritor. Conheci LFV em Porto Alegre, na casa da minha amiga Maryur. Foi meu único contato com ele, assim não posso dizer que sou sua amiga, como fazem os que jantam no mesmo restaurante que uma celebridade, ou fazem a mesma viagem de avião, e saem se arvorando de amigo. Sou tiete mesmo.

Meu contato com o escritor tem sido por seus textos. Uso o livro Comédias da Vida Privada, que reúne 101 crônicas do autor, com meus alunos de língua portuguesa, e eles também se apaixonam.

No momento em que recebi o primeiro e-mail pensei: não pode ser dele. Sem estrutura, erros de construção, mau gosto. Esse não é ele. Falando sobre o BBB então? Nem continuei. Me contive e não reagi. No entanto, quando uma amiga me mandou o mesmo texto reagi discretamente. Atenção, eu disse, esse texto não parece dele.

Então, quando receber um texto atribuído a alguém, dê um google nele e nos poupe e se poupe.

Não vou terminar antes de indicar a leitura de Comédias da Vida Privada.

Até mais,

ml

 

 

Ser ou não ser legal?

Por  Alberto Beh Ribeiro

Constantemente discuto com meus parceiros falastrões, como eu, a moderna dificuldade de viver no carrancudo cotidiano atual: Ter que adivinhar a quem devemos dar bom dia, ou analisar a pessoa antes de lançar um sorriso, não é tarefa fácil. Pedir favores ou tentar favorecer então, só pra especialistas… Até os videntes andam inseguros!

Não me esqueço do dia que estava em uma fila a fim de regularizar um documento, e um senhor de aparência distinta perguntou para o outro, estilo ítalo-grosseirão, à minha frente:

-O Senhor pode segurar meu lugar? Preciso ir ao toalete!

-Tudo bem, vai lá! -respondeu o paesano

O fato de eu ser curioso, reparar tudo e a todos, deu brecha para o desabafo:

-Você viu? –me pergunta o paesano

-O que? –respondi como se estivesse distraído

-Sou premiado: Não existe um dia que alguém não me pede um favor. Quando resolvo ficar em casa, fatalmente minha filha tem um grande compromisso e precisa de alguém pra cuidar do seu filho, meu neto, e do cachorro que não é meu genro. Minha vida é assim, não tenho sossego. Quem inventou que sou um cara legal? Será que tenho escrito na testa que sou legal? Eu não gosto de ser e nem quero ser legal! Tenho cara de escoteiro?… Poxa amigo, desculpe meu desabafo, você me parece legal… ele vem vindo, coitado, o tempo não perdoa!

Muito legal: Testemunhar a angústia do não legal por ter ajudado o desesperado mijão, deu uma esvaziada no meu saco cheio de estar na fila. O sofrimento de ambos me ajudou a driblar o tédio da espera, e sem muito sofrer entrei na legalidade do documento em dia.

Decerto que o causo não foi bem assim como eu contei, adocei, floreei e alguma coisa inventei; foi pior: Os gestos e os palavrões do paesano foram muito engraçados e além da minha capacidade de descrever e escrever.

P.S.: como eu contei, adocei, floreei e alguma coisa inventei: É um bom exemplo de rima pobre. Desculpe, escrevinhei do jeito que me vei!

Beto é um libriano que gosta de escrever à toa enquanto o sono não chega, e que vai andar por aqui quando der, ou não.

De bom e mau

Por Maria Lucia Solla

Clique aqui para ouvir De bom e mau

Olá,

 

pisquei, e a segunda virou quinta. Os dias correm como nós, e num desses dias voadores liguei a televisão e ouvi que o número de assaltos a residência e estabelecimento segue crescendo. Confirmei também que a civilidade segue diminuindo e que a fúria do invasor atinge nível de dar náusea. Se sequestra e se mata por tudo e por nada também. Humano tortura humano, legal e ilegalmente; se degrada, dissolve, mingua.

Tem muito ódio, muita raiva, muita amargura nos corações. Campeia a traição, o abuso e o descaso pelo outro. A sociedade do eu primeiro vem fortalecendo alguns músculos, mas vem deixando definhar o próprio coração. Se sobressai no índice do dinheiro, do consumo, e se retrai na educação, no respeito, na consciência do real direito de cada um.

Mas tem o outro lado onde pipocam projetos sociais; gente que troca o dia-a-dia, o conhecido, o conforto, pelo inverso da medalha. Gente que se arrisca no universo da diferença, do carência, da doença, do desengano, onde acaba encontrando – dizem os que se entregam – um presente da vida.

De um lado o invasor, do outro o libertador. É o que vemos desde criança no desenho animado. Bom contra mau. Falávamos disso, meu filho e eu, no domingo passado. Sobre repressão, criminalidade e atividade das polícias. E eu pergunto o que mais vai ser preciso proibir, quantas vezes mais vai ser preciso remendar a Constituição, para podermos saciar a boca faminta da justiça, do suborno, e das polícias, num desbotado filme de bandido e mocinho.

Enquanto o bom continuar a se entrincheirar e se armar para combater o mau, será só um arremedo de bom. Será um mau presunçoso a se considerar do bom lado da cerca. Só isso. E o mau, acreditando ser mau porque é isso que lhe dizem desde que entendeu a primeira palavra, o primeiro olhar, se arma para resistir, lutar e atacar o bom.

Não tenho a solução, nem na palavra nem no pensamento, mas sinto no coração que ela existe e que é possível; e tenho certeza de que você também sente. É preciso, no entanto, que a galera do bloco bom não se pavoneie, sentando nos próprios pés na ilusão de que não percebam seu medo e sua vergonha, e que não continue apontando, de bico erguido, o erro do vizinho. Em qualquer área, em todo nível social, cultural, no bloco civil, no bloco militar, penso em gente, não em casta.

As maiores e mais fratricidas guerras foram guerras religiosas; e continuam sendo. O religioso rotulado, que se considera bom, fica cada dia mais agressivo e arregimentador. É só olhar em volta, para os que rezam estirados no chão para falar com Deus, e os que se ajoelham para fazer a mesma coisa. Para os que aceitam os santos, e os que não aceitam. Para os que consideram Jesus o Messias, e aqueles que não. É guerra que, como todas as outras, é feia, dissimulada, discriminatória e preconceituosa, disfarçada de divina, correndo solta, acelerando o tempo que se esgota para que a consciência se instale como programa de tecnologia de ponta.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

O TAL DO LIMITE

Por Suiang Guerreiro de Oliveira

Serra das Araras Foto: ml

Me peguei pensando nos limites que vivemos – os impostos e os autoimpostos. Alguns são perfeitamente necessários para o bom andamento da sociedade: limites de velocidade, por exemplo, melhor respeitá-los, afinal, alguém que supomos estudioso no assunto chegou à conclusão de que 60, 100 ou 120 km/h é o limite daquela via. Se cada um quiser andar na velocidade que lhe der na telha, será o caos.

Alguém muito estudioso também estabeleceu o limite entre peso (o gordinho) e sobrepeso (o gordão). E depois de soma aqui, divide ali, multiplica acolá, você descobre que passou do limite, e aí é um tal de fechar a boca, tomar óleo de coco, só fruta, só proteína, e vai embora a lista.

Meus prazos de fechamento de matéria (como esta aqui!) sempre foram fechados no limite do horário. Essa adrenalina da última hora te deixa ligado, esperto, você pensa mais rápido e fica com o raciocínio aguçado pra não cometer nenhum equívoco. E o limite do prazo é respeitado à risca.

E quando a gente acha que não vai dar, não importa o que, algo que só depende de você, mas você acha que não vai dar. Quem criou esse limite? É possível rompê-lo? O que precisa pra isso? São os limites que nos impomos sem saber, mas que chegam em mensagens cifradas: tal coisa é difícil de fazer, é difícil falar com beltrano… Isso vai se infiltrando no nosso subconsciente e de repente nos pegamos limitados a troco de fantasia. Vamos ver se a coisa é difícil, vou ligar/escrever pra beltrano… E de repente as coisas vão acontecendo, sem entraves, sem limites, tudo é possível.

Os limites sociais são perfeitamente aceitos, embora estejam sempre se modificando. Os limites pessoais são sempre mais complicados, porque não são totalmente aparentes. Mas um olhar sincero pra dentro de si mesmo vai identificando os entraves. Noto que já me libertei de muita coisa, mas devo continuar prestando atenção, dentro e fora de mim, dos limites reais e irreais que me cercam.

Um beijo

Suiang Guerreiro de Oliveira é canceriana, jornalista, não é chinesa e promete escrever neste blog, às terças-feiras.

A Universidade dos Pés Descalços

Por Maryur Silber

Confesso que não ando nos meus melhores dias, egoisticamente preocupada com meu “próprio umbigo”. Faço força para ser menos egoísta, mas mesmo percebendo o quanto tenho de sorte e privilégios, não tenho logrado meu intento. Quando, hoje, recebi, e a gente acaba sempre recebendo o que precisa, um e-mail fantástico: -A Universidade dos pés descalços. Uma palestra única, uma vida ímpar, um trabalho a iluminar caminhos, a re-acender esperanças.

Então pensei, nada que eu venha a escrever poderá dimensionar a importância do trabalho do indiano Bunker Roy, criador e fundador da ONG, Universidade dos pés descalços, mas por sua força, por seus resultados me senti na obrigação de, compartilhando a palestra, dar aqueles que, como eu, ainda não conheciam este trabalho, uma chance: Conhecer um pouco do criador e sua incrível obra de inclusão social:

Acessem: HTTP://www.youtube.comwatch?v=Zlav7tuBiD8, ou simplesmente, pesquisem, cada um, da sua maneira, mas não deixem de assistir. É uma aula de desprendimento e persistência, mas, sobretudo, de consciência social. Fiquei emocionada, me senti pequena e egoísta conhecendo a trajetória e o trabalho deste líder e ativista social, figura, hoje, reconhecida internacionalmente.  E contem depois se valeu a pena.Tenho certeza que sim, pois todos merecemos e precisamos destes sopros de esperança e confiança, de  exemplos que possam animar cada um de nós a fazer sempre e cada vez mais pelo outro, pelo desfavorecido.

Para mim Roy Bunker e sua obra merecem, não só uma indicação, mas sim receber o Prêmio Nobel. Só não sei da Economia ou da Paz; ou ambos quem sabe.

Maryur Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.

Escrevinhador à toa da madrugada

Por Alberto Beh Ribeiro

O tempo avança, o meio século de vida se aproxima, e aqueles amigos de ocasião os quais levávamos altos papos nos bares prediletos, se vão. Poucos e melhores ficam, mas, mesmo assim, não é igual: O tempo e descompromisso que tínhamos para ouvir os risos, os choros, chatices, vantagens e desvantagens uns dos outros, com tempero etílico; os novos tempos, compromissos e às vezes mudança de estado, afastaram e afastam aos poucos. Para os insistentes, como diz minha amiga virtual Malu: “A tendência é o contato virtual”.  Relacionamento eletrônico, além de apresentar meu até então desconhecido gosto de escrever, fez com que eu descobrisse, além de amores, a quem devo ou não dar atenção. É, hoje em dia fica difícil acreditar que alguém não teve e não tem tempo de responder. Em hospital tem WiFi! Para os poucos amigos que restaram e são recíprocos, às vezes dedico algumas linhas. Para os muitos muito ocupados, nem feliz natal!

Querem saber por que escrevi o esquisito parágrafo acima?

À toa, como faço sempre!

Como sou falastrão, comentei que tenho sequelas de madrugador, e, para satisfazer a abstinência da lua da rua e amigos lunáticos, armado com algumas cervejas e um computador, escrevo o que vem na telha, como se o editor de textos fosse um amigo também madrugador da hora, daqueles que curtem escutar. O meu sempre corrige os erros, que são muitos. Algumas das coisas que escrevi na madrugada postei no Blog da Maria Lucia Solla que, juntamente com a versátil Maryur, não beberam, mas entraram no delírio de que eu saberia escrever textos para o Blog que, além de ser habitado por elas, tem os excelentes Suiang, Arilho e outros.

Estou com o dedo no gatilho para enviar esta escrevinhada. Talvez assim, elas parem de me cutucar…Nada como um choque, para pararmos de futucar a tomada!

Bom, o corretor ortográfico corrigiu automaticamente alguns erros. À minha gramatica incorreta é um caso pessoal: Conforto de quem não é, e nem sonha ser escritor. Sou apenas alguém que gosta de escrever, à toa!

Beto é um libriano que gosta de escrever à toa enquanto o sono não chega, e que vai andar por aqui quando der, ou não.

De vivendo a vida

Por Maria Lucia Solla

Foto: ml

Olá,

 

às vezes sinto que desperto de sono profundo, e vejo as coisas à minha volta com uma clareza difícil de descrever. Não sei dizer se é arte da mente ou do coração, mas é magia pura. 

 

Hoje eu estava arranjando a mesa da sala para comemorar a vinda do meu filho Paulo, – o aniversário dele é na segunda-feira – e resolvi dar um jeito nos enfeites de Natal que ainda estavam em cima do aparador, esperando carona para ir para a sua caixa, descansar por mais um ano. 

 

Peguei e curti um por um – bolinha, pinha com toque de dourado, laço vermelho, laço dourado, bengala do bom velhinho, o próprio, rechonchudo, sorridente, e toda a galera do presépio, presente do Marcos, para levá-los de volta para o tanto que lhes cabe neste latifúndio. Eles moram no meu quarto, num baú que pretendo mandar armazenar, desde o dia em que cheguei neste apartamento, para fazer lugar para uma cadeira de leitura. Daquelas de sonho, sabe? Costas bem acomodadas, coluna quase feliz, pernas posicionadas confortável e saudavelmente; uma cadeira perfeita. Uma lâmpada de leitura, aérea para não ocupar espaço, estrategicamente posicionada, e um aparador na parede, para os livros do momento – e só esses -, e uma ou duas xícaras de café ou chá, conforme a situação. 

 

 

Então por um segundo pensei um pensamento rançoso, condicionado, envolvido em teia de aranha: cadeira de leitura? pra quê? pra quê perder tempo e jogar dinheiro fora, se vou deixar este apartamento quando vender? e se a cadeira não tiver espaço no outro apartamento ou casa onde vou morar? E a engrenagem pirou: pra quê pendurar quadros, se não vou ficar? pra quê isso, pra quê aquilo? E no quê dentro de mim disparava um programa novo, como um balão de surpresas que estoura e te enche de mimos, me dei conta de que, sim, um dia eu também vou deixar este corpo, e não é por isso que vou deixar de cuidar dele, que não vou viver a vida com fome e com sede, até me fartar dela. Então olhei para o lado e resolvi armazenar os amigos natalinos numa gaveta do armário ao lado da mesa, ou seja, foi como se o móvel tivesse me cutucado o ombro e dito: ei, ml, olha pra mim. Você não quer a tua cadeira? Esvazia o baú. Eu guardo isso pra você.

 

Sei que não é nenhum ovo de Colombo, mas em mim teve um efeito daqueles. Pelo que não posso ter, não quero mais chorar, mas vou atrás de tudo que achar possível. Não vou me escravizar por nada, mas não vou desistir também. Vou tentar fazer o que sempre prego: saborear o minuto como se fosse meu primeiro e último. Vou atrás de cada sonho possível, aceitar o que me faz sorrir e guardar feito tesouro, os bons momentos. Um toque, uma palavra, um olhar, um desejo.

 

E você? Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Já que o assunto é escrever…

Escritores ensinam a enfrentar o maior inimigo: a página em branco

Adoro ler entrevistas com escritores. Especialmente quando falam sobre o que não podemos adivinhar só pela leitura de suas obras, que são seus hábitos de trabalho.

Quando você lê os livros de um autor, já tem uma boa idéia de sua visão de mundo. Autores despejam suas idéias na página. Muitas vezes, não sobra nenhuma surpresa para contar depois.

Quantas vezes você não leu uma entrevista com um autor e adivinhou a maior parte do que ele iria dizer?

Já os hábitos de trabalho dos escritores costumam surpreender.

Gosto de saber se determinado autor escreve de manhã ou tarde da noite; se usa lápis ou computador; se relê seus textos a todo instante; se passa horas se martirizando sobre a colocação de uma vírgula ou se prefere derramar tudo na página e corrigir depois.

Gosto também de ler escritores dando dicas e falando sobre técnica.

Um dos livros que sempre releio, nem que seja aos pedaços, é “Telling Lies for Fun and Profit” (em tradução livre, “Contando Mentiras para Diversão e Lucro”), de Lawrence Block.

Não sou o maior fã de Block. Acho seus livros bons passatempos e não muito mais que isso. Mas esse volume, uma coletânea de colunas para a revista “Writer’s Digest”, é muito bom.

Mais que um manual de estilo, Block fala de problemas corriqueiros que escritores costumam enfrentar: devo imitar o estilo de meu autor predileto? Tive uma idéia, mas se parece muito com algo que alguém já fez. O que faço? Como encarar a rejeição de editores? Quantas horas devo escrever por dia?

Claro que são todas questões pessoais, que afetam a todos de maneiras diferentes. Mas, ao expor sua visão, Block desmistifica o ofício de escrever e mostra que, por mais famoso que seja o autor, no fundo ele é apenas mais um pobre coitado que batalha contra a página em branco.

Existem muitos livros semelhantes. Um dos mais divertidos é “On Writing”, de Stephen King, que vale a leitura mesmo para quem não é grande fã do autor.

Parte autobiografia, parte manual de ajuda para novatos, King conta detalhes de seus hábitos – só escreve sentado numa determinada cadeira azul em seu escritório, só termina um parágrafo quando cortou “todas as palavras supérfluas”, etc. – e comenta trechos de alguns autores, como Tom Wolfe e Elmore Leonard. Divertido demais.

Outro autor que também escreveu um livro chamado “On Writing”, e tão difícil de largar quanto o de Stephen King, foi George V. Higgins.

Quem leu “The Friends of Eddie Coyle”, elogiado por escritores tão diferentes quanto Martin Amis, Norman Mailer e Ross Macdonald e considerado por Elmore Leonard “o maior romance policial já escrito”, sabe que poucos escreveram diálogos tão bem quanto Higgins.

Nesse livro, Higgins dá dicas de como captar a “essência das ruas” e escrever diálogos memoráveis, citando alguns de seus autores prediletos como Hemingway, Dickens, Irwin Shaw e Gay Talese.

Block, King e Higgins concordam em muitas coisas: não existe um escritor que não seja atormentado por dúvidas; não existe uma linha direta entre a musa e a página; todo autor é inseguro; a única maneira de escrever bem é ler muito e escrever muito.  E, principalmente: ESCREVER É TRABALHO DURO.

Higgins ironiza até os próprios fãs, que não cansavam de elogiar “a maneira fluida e fácil com que ele escreve diálogos”. “Essa maneira ‘fácil’ de escrever me levou quase 20 anos para aprender”, disse Higgins, que escreveu 14 romances e depois destruiu todos os originais antes de lançar, aos 41 anos de idade, seu romance de estréia, justamente “The Friends of Eddie Coyle”.

Claro que esses livros não devem ser levados a ferro e fogo. O negócio é ler, absorver o que achar útil e depois quebrar todas as regras. Porque nada está escrito em pedra. E o que vale para Stephen King não vale, necessariamente, para você.

P.S.: Separei alguns trechos de entrevistas e textos em que grandes escritores falam sobre o ofício de escrever. Publico amanhã. Até lá.

Escrito por André Barcinski às 08h41

Motivos pra comemorar

Por Suiang Guerreiro de Oliveira

Luiz cantando no nosso Sarau 2006 Foto: ml

 

Existem sempre bons motivos pra gente encontrar amigos e confraternizar. Motivos bem diferenciados: o mais comum é aniversário, mas também entram pra lista outros, divertidos: um novo lugar pra morar, a compra de uma casa, a entrada na faculdade, o término da pós ou do mestrado, o cãozinho recém-chegado… e até sem motivo algum, basta um risoto e um bom vinho e pronto, isso já é um motivo. Encontrar amigos é abraçar, beijar, é alegria, carinho… muita coisa boa!

Sábado passado foi assim. O motivo? O marido ia cantar! Mas só músicas que ele gosta, bossa nova e samba. E como fazia muito tempo que isso não acontecia, muita gente apareceu. Enquanto ele se divertia cantando, eu me esbaldava entre beijos e abraços gostosos. O lugar também ajudou muito, o Flores na Varanda, um café que transpira cultura, tem uma comidinha simpática e um pessoal muito solícito pra atender.

Eu parecia os pais da noiva, de mesa em mesa, papeando, brincando… Foi muito bom rever tanta gente querida junto. Terminei a noite, que nem a chuva atrapalhou, repleta de felicidade, até parecia que os aplausos eram pra mim…

 

Em tempo! Mais um motivo pra comemorar: esta semana, dia 20, faz um ano que estou aqui no blog da Maria Lucia, a quem só tenho a agradecer pela oportunidade. Como disse a Maryur, companheira neste blog, alguns textos vêm fácil, outros são tirados a fórceps. Não é fácil escrever sem roteiro, por isso este blog tem me ensinado a prestar atenção em tudo e tentar extrair de cada dia um assunto que possa virar texto! Obrigada, Maria Lucia, meu afeto e gratidão; obrigada a você que me lê.

 

Um beijo

Suiang Guerreiro de Oliveira é canceriana, jornalista, não é chinesa e promete escrever neste blog, às terças-feiras.

De Maryur

Olá,

a todos que por aqui passarem, quero explicitar o meu amor por uma amiga que sabe viver o significado da palavra. A nossa é amizade antiga. Maryur sabe ouvir, sabe respeitar e sabe acolher. Como poucos. Maryur é culta, generosa, elegante e deliciosamente explícita.

Nossa amizade vem de muito longe e de muito tempo, mas nem a lonjura nem os anos esfriaram a admiração e o carinho que temos uma pela outra, assim como nunca vão diminuir a gratidão que sinto por ela.

É uma honra pra mim tê-la aqui por perto, semanalmente, mesmo que nossos encontros sejam virtuais. Parece ser essa a tendência.

Vivemos momentos muito felizes e muito tristes, ao longo do tempo. Rimos e choramos. Comemos sempre boa comida, bebemos sempre boa bebida e fomos sempre cúmplices, ingrediente indispensável para que o amor exista e floresça.

Obrigada, Maryur, minha grande e querida amiga.

beijo,

ml

1º Aniversário!

Por Maryur Silber

O tempo voa! A constatação é lugar-comum, mas que voa, voa mesmo. Imaginem que dia 15 estarei completando um ano inteirinho de participação semanal no blog da Lú. Uma rica experiência! E não faltei um sábado sequer. Às vezes não foi fácil, geralmente, foi muito prazeroso. Mas no início, crítica que sou, nada me parecia bom e até pensei em desistir.  Aos poucos, principalmente, o incentivo dos amigos me estimulou a continuar e assim, semana a semana, cheguei ao 1º aniversário.

Agradeço a Lù pela oportunidade e confiança em todos os momentos. Aos velhos e novos amigos que me acompanharam, opinaram e estimularam semanalmente, mas, sobretudo, agradeço a mim mesma por não ter desistido. Com esta experiência, cresci.  Aprendi a me  aceitar melhor, a conviver com minhas dúvidas, com meus limites, com a crítica e com a auto-crítica. Me expus e perdi o medo de errar, de não satisfazer, de ser eu mesma, enfim!

 O saldo foi positivo. Às vezes sentia que o tema era bom e fluía, outras não tinha  idéia e precisava de disciplina. Com as duas situações valorizei: primeiro, a minha criatividade,  em segundo a responsabilidade para cumprir, sempre, o prometido e em terceiro a humildade para aceitar minhas limitações. Enfim estou vivendo uma rica experiência, um desafio semanal, e, principalmente, estou me divertindo muito!

Obrigada Lú por este aniversário! 

Maryur Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.