Duas opiniões consistentes

Meu pedido de desculpas aos leitores. O atraso na postagem foi meu.

Saboreiem o texto da Maryur.

Maria Lucia Solla

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Por Maryur Tedesco Silber

 

Neste verão, entre muita coisa interessante que li, dois textos me chamaram especial atenção pela qualidade de suas autoras e pela relevância do tema: “Um tempo sem nome” de Rosiska Darcy de Oliveira, carioca, advogada, escritora, feminista, militante política, enfim uma figura impar no contexto político-cultural brasileiro. E, “Me chamem de velha” de Eliane Brum, gaúcha, jornalista, escritora, colaboradora da “Época” e autora talentosa de diversos livros de sucesso.

Pois bem, as duas não pertencem à mesma geração, aproximadamente, 20 anos as separam.

Mas o talento, a sensibilidade e a bagagem cultural que as une, permitem que nos ofereçam momentos de rica experiência e sabedoria.

Ambos os artigos tratam com abordagens, paradoxalmente, diversas e semelhantes ao mesmo tempo, do: Envelhecer. Eliane aborda mais a forma e a adequação da palavra, sem medo, sem hipocrisia, sem eufemismos:-“Acho idoso uma palavra”fotoshopada”ou talvez um lifting completo na palavra velho. A velhice é o que é, negá-la é inútil.” E os eufemismos nada mais são do que a desvalorização da velhice: terceira idade, melhor idade, idoso, etc. E são os”velhos” que tem mais experiência, mais a dizer, vejam Fernanda Montenegro, Fernando Henrique Cardoso, Clint Eastwood, e aqui bem perto João Dib, todos com mais de 80 anos contribuindo ativamente em suas profissões, “são velhos que não desistiram de viver”. E por isto Eliane é contra a ”cosmética e a plástica da linguagem”.

Já Rosiska a partir da composição de Chico Buarque para sua nova e jovem musa: Tais Gulin, nos brinda com um texto pleno de sensibilidade sobre a arte de envelhecer, sem o pânico que fez da cirurgia estética um próspero campo da medicina e de uma vendedora de cosméticos, a mulher mais rica do mundo.-“…o olhar alheio é mais cruel que a decadência das formas. É ele que mina a auto-imagem, que nos constitui como velhos, impedindo o alumbramento diante da vida,  a doce liberdade de se re-inventar a cada dia prescindindo do esforço patético das camuflagens, das cirurgias e do botox, não permitindo a invenção e a re-invenção de um cotidiano, emocional e espiritualmente, rico e feliz.”

Sugiro que leiam os textos, concordando ou não, certamente, valerá a pena!

Maryur Tedesco Silber é pedagoga, terapeuta Reiki e Floral, e hoje curte as amenidades familiares, afetivas e culturais. Aos sábados abre seu coração no Blog da Maria Lucia Solla.